quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Amor de vó


Todo dia que estou na fazenda, gosto de irritar minha vó pegando no seu rosto (ou pousando casualmente meu queixo no seu ombro), olhando profundamente em seus olhos e falando "vó, já te falei que te amo hoje?", e ela sempre me responde com uma risada aborrecida e um "já", mesmo que não tenha dito só pra acabar com o assunto logo - até porque normalmente isso termina comigo gritando "vóó, você me ama? Diz que me aaaama!" e ela correndo de mim.
Hoje de manhã, quando acordei, acho que minha vó percebeu que eu estava com muita coisa na cabeça e, quando entrei na cozinha, fui recebida com ela sorrindo e me perguntando "já falei que te amo hoje?"

Poesia diária


"Parece que tamô no céu, né? Mas tamô no ônibus!"
- disse o menino-poeta na sua empolgação por se sentar no banco mais alto do ônibus.

Um milagre

"-Nossa, como eu tô velho... Cabelo branco, velho.
- E eu?
- Você tá velha também...
- Ficamos velhos juntos.
- É, até parece um milagre."
(Daqueles diálogos belos que você ouve ao ficar esperando em silêncio do lado de fora do banheiro)

[Pequeno adendo de um grande sentimento]


Poucas coisas me parecem tão delicadas quanto minha avó cuidando do meu avô em silêncio – não porque as vozes dizem coisas desnecessárias, mas pois o amor se faz possível de transbordar no momento em que ninguém o vê. Ninguém o obriga a se mostrar, a provar sua veracidade e força, então ele apenas existe inundando a sala com seu singelo sentimento.

Quem não tem pipa...


O que eu aprendi com o menino que mora na rua do meu trabalho: quem não tem pipa, brinca com sacola plástica amarrada num barbante.

La Vie en Rose


Um moço passa com sua gerbera recém comprada e destinada para seu amor; um casal de velhinhos de braços dados acompanha a música com seus passos e olhares de carinho reciproco; uma mãe dança com seu bebê vestido de minion em plena calçada e a criança sorri.
E, simples assim, o amor inundou a paulista por causa de uma música

O amor sutil


- Eu tava com tanta saudade de você.
- Eu não tava, nem um pouco.
- AH, tava sim que eu sei! Eu quaaaase morri de saudade, só não morri pq te vi ontem!
- TAVA NÃO, eu não tava, não, nem um pouquinho.
- Mas eu sou seu amigo.
- Não é não!!
- Sou, sim! E você é minha amiga.
- NÃO SOU NÃO!
- É, sim. Você é minha amiga e tava com saudade.
- EU VOU DAR UM SOCO NA SUA CARA.

(disse para o cobrador a menininha com seus quase 7 anos, ao descer revoltadíssima do ônibus, HAHA)